Pele de nossos mocinhos Entender é a melhor indicação


As dermatopatias em mocinhos e gatinhos representam grande parte do atendimento na clínica médica. Entre os alérgenos causadores dessas doenças, estão fungos, bactérias, parasitas, alergias, e até problemas hormonais. Abaixo, questões de pele mais comuns que são causados por bacterias.

CANDIDÍASE

O que é?

A candidíase é uma doença causada por leveduras (fungo unicelular) do gênero Candida spp, que pode atingir diversos sistemas do animal, principalmente o tegumentar (pele). Os quadros infecciosos podem ser ocasionados por várias espécies, como: a C. albicans, a C. tropicalise a C. parapsilosis, sendo a primeira a principal delas.

Essas leveduras habitam a pele, a mucosa oral (boca), genital (pipi, anus e pipinha), respiratória (traqueia, laringe e narizinho) , o meato acústico externo (ouvidinho) e o sistema digestivo. A candidíase canina é causada por um fungo normalmente encontrado no corpo, mas que se transforma em um organismo invasivo e agressor de mucosas. Esta levedura (Candida) é controlada por bactérias "amigas" e por um sistema imunológico saudável e seu papel em condições normais é de reconhecer e matar as bactérias nocivas. Sem as bactérias "amigas", a levedura se transforma, de um organismo não-invasivo e fermentador de açúcar, em um organismo invasivo, começando assim uma infecção fúngica primária. Uma infecção secundária pode ocorrer quando o fungo entra pele que foi danificada devido a um ferimento ou machucado.

Patogenicidade

Como dissemos acima, a infecção começa a partir da imunossupressão (reações imunitárias do organismo, induzida por medicamentos (corticosteroides, ciclosporina A etc.), que favorece o crescimento desordenado das leveduras, tornando-as patogênicas. Nesse caso, a imunossupressão pode estar associada a diversos fatores, como: idade, estresse, presença de doenças imunomediadas, desordens neoplásicas e uso prolongado de corticosteroides, de antibióticos ou de citostáticos (fármacos que inibem a reprodução ou o crescimento de células indesejadas).

Sinais clínicos

A candidíase afeta as mucosas, as junções mucocutâneas e diferentes partes da pele, como a pele abdominal, a pele do saco escrotal, o períneo, as dobras ungueais (estrutura das unhas), narinas, orelhas, planos nasais e dobras cutâneas (espaços interdigitais). Em casos mais graves, as leveduras desse gênero podem atingir o trato urinário, o sistema gastrintestinal e o sistema reprodutor. No entanto, as infecções nesses sistemas são raras.

Dessa forma, os sinais dermatológicos mais frequentes são: erosões úmidas e eritematosas (vermelhas), com contorno irregular e levemente edemaciadas, vesículas, crostas, úlceras, pápulas, pústulas e lesões alopécicas (caracterizadas por possuir pouca ou nenhuma pelagem em determinada área).

Em casos de otite podemos observar a presença de inflamação, dor, descamação, coceira e edema.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por meio do exame físico (análise dos sinais clínicos) e de exames laboratoriais. Esfregaços direto das lesões são necessários para confecção de lâminas para análise microscópica. Para confirmação do agente etiológico é necessário o isolamento em cultura.

CRIPTOCOCOSE

O que é?

A Criptococose é uma enfermidade infecciosa sistêmica causada pelo fungo Cryptococcus neoformans, que está presente no solo e nos coco de passarinhos contaminados. Essa espécie de levedura é considerada oportunista por causar infecções apenas em seres que estão imunossuprimidos. Normalmente acomete mamíferos domésticos, como os mocinhos e gatinhos e é vista com maior frequência em regiões geográficas de clima quente e úmido. No caso dos gatos, que são os animais mais acometidos, devido "passearem" em locais mais propícios , a queda da imunidade está frequentemente relacionada ao uso exagerado de medicamentos (corticosteroides) e a doenças infecciosas, a exemplo da FeLV e do linfossarcoma.

Transmissão

A transmissão dessa levedura acontece por meio da inalação dos esporos presentes no ambiente. Quando inalados, causam a chamada infecção primária, que afeta as narinas e os pulmões. Em seguida, ocorre a disseminação sistêmica por via hematógena ou linfática, chegando em outros sistemas do organismo, como o tegumentar e o nervoso.

Os sinais clínicos

mais comuns são: presença de pápulas, pústulas, vesículas, úlceras e nódulos. Na maioria dos casos, as lesões estão localizadas na cabeça (narina, lábios, língua, palato, gengiva) e nas regiões próximas ao pescoço.

Diagnóstico

A Criptococose é uma das micoses mais fáceis de ser diagnosticada pelo fato de possuir muitos elementos fúngicos nas lesões. O diagnóstico consiste no exame físico e na identificação das leveduras por meio do esfregaço e da análise em microscópio com auxílio da tinta nanquim. Posteriormente os microrganismos também podem ser cultivados em ágar de Sabouraud a 25°C – 35°C para a confirmação da doença.

DERMATOFITOSE

O que é?

A Dermatofitose é uma das enfermidades cutâneas mais importantes na clínica veterinária de pequenos animais por ser muito contagiosa e

Por ser considerada uma zoonose (transmitida do animal para o homem e do homem para o animal) de difícil tratamento. A doença é causada por um grupo de fungos queratinofílicos (que se nutrem através da ingestão de queratina) denominados de dermatófito. Esses tornam-se potencialmente patogênicos apenas em circunstâncias de imunodepressão.

Transmissão

A transmissão acontece através do contato direto com os esporos dos fungos. Estes microrganismos podem estar presentes nos animais (pelos), no ambiente e em fômites, como em escovas, pentes ou camas. É importante destacar que os dermatófitos são bastante resistentes ao ambiente e que alguns animais assintomáticos também poder ser uma fonte de infecção.

Sinais clínicos

Os sinais clínicos da Dermatofitose variam de acordo com cada animal, mas na maioria dos casos o prurido (coceira) é moderado ou ausente. Na pele é possível notar a presença de crostas, escamas e alopecia circular (queda de pelo em regiões focais) expansiva e descamativa, unhas fragmentadas e pelos partidos. As lesões normalmente estão localizadas nas extremidades e na região da cabeça. Ocasionalmente os gatos apresentam uma dermatite com numerosas crostas de pequenas dimensões e otite ceruminosa.

Diagnóstico

Um dos possíveis métodos de diagnóstico é o exame microscópico das estruturas queratinizadas, que mostram as hifas dos fungos. Para tal finalidade, pelos partidos, escamas de lesões ativas e fragmentos de unhas devem ser examinados em óleo mineral. Se for preciso confirmar o diagnóstico, é indicado fazer uma cultura fúngica através do Meio de Teste de Dermatófitos (DTM).

MALASSEZIOSE (FUNGO)

O que é?

A Malassezia spp. é um fungo que habita na superficie da pele de mocinhos e gatinhos . Quando se proliferam em excesso no sistema tegumentar ou no canal externo do ouvido, podem agir como patógenos, causando inflamação dos tecidos. Existem diversas espécies desse gênero, e a M. Pachydermatis é encontrada com grande frequência nos exames clínicos.

Patogenia

A malasseziose é o termo utilizado para caracterizar as dermatites causadas pelo aumento populacional da Malassezia spp. Esse aumento populacional normalmente está relacionado com algumas doenças primárias, como as endócrinas, imunológicas ou parasitárias, que afetam o sistema imune do animal e a pele do animal, ou seja, ela vai ser presente após o organismo estar com baixa imunidade e exposto à outras bactérias.

Dessa forma, podemos classificar a malasseziose como primária ou secundária. A malasseziose primária, menos frequente, acontece quando o animal não possui nenhuma alteração dermatológica, e após a proliferação do agente começa apresentar sintomas característicos da doença. Embora essas leveduras sejam consideradas oportunistas, elas também possuem capacidade de causar inflamações e reações de hipersensibilidade devido ao fato de produzir metabólitos nocivos e enzimas como as fosfolipases e proteinases.

Já a malasseziose secundária, mais frequente, ocorre quando o animal possui alguma enfermidade na pele, que predispõe a proliferação da Malassezia spp com maior facilidade. Nesse caso, a dermatite é agravada por consequência da multiplicação exacerbada desses patógenos que alteram ainda mais as funções de proteção da barreira cutânea, causando o aumento das lesões já existentes.

Sinais Clínicos